sexta-feira, 8 de julho de 2011

Henrique VIII 1491-1547 Pág 15

Henrique VIII estava casado com a primeira esposa, Catarina de Aragão, quando conheceu Ana Bolena, em 1526. A igreja Católica não permitia o divórcio; o rei, obcecado por Ana, que se recusava a ser sua amante, fez o que pode para convencer o papa a conceder-lhe a anulação do primeiro casamento. Diante da recusa do pontífice, Henrique rompeu relações com a Igreja Romana e criou a Igreja Anglicana, da qual se tornou dirigente supremo. (Ele não tinha problemas de autoestima: veja na carta a seguir o presente que enviou a Ana.) Depois de sete anos de incerteza, em janeiro de 1533, Henrique e Ana finalmente se casaram. Em setembro do mesmo ano a rainha deu à luz Elizabeth, que viria a reinar como Elizabeth I. Em maio de 1536, a rainha Ana foi presa, acusada de adultério com diversos homens, inclusive o próprio irmão, George, Visconde de Rochford. Ela foi condenada e decapitada na Torre de Londres. No mesmo dia, seu casamento com Henrique foi anulado. Onze dias depois, o rei desposou Jane Seymour. Das seis afortunadas esposas de Henrique, Jane foi a única a dar-lhe um filho que viveu mais do que ele: Eduardo VI.

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Para Ana Bolena

Minha amante e amiga:
Meu coração e eu nos colocamos em tuas mãos  suplicamos que nos recomendes a tuas boas graças. Que a distância não diminua a afeição que nos dedicas; isso aumentaria nossa dor, o que seria muito lamentável, pois a separação já causa dor suficiente, mais do que algum dia pensei ser possível. Isso me lembra um fato astronômico, qual seja, quanto mais distantes os polos estão do sol, mais abrasadora é a temperatura. O mesmo se dá com nosso amor: a ausência nos distanciou, mas o fervor é maior pelo menos em mim. Espero o mesmo de ti e garanto que, no meu caso a angustia da separação é tanta que seria intolerável se eu não guardasse firme a esperança em teu afeto indissolúvel. Para que te lembres de mim e como não posso estar contigo em pessoa, mando-te o que mais se aproxima disso: meu retrato e o brasão que já conheces, aplicado em pulseiras, desejando estar eu mesmo no lugar deles, quando for de teu agrado. Pela mão de teu servo e amigo,
H.R.

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