DAVID HUME foi filósofo, economista e historiador. Seus principais trabalhos incluem o Tratado da natureza humana e a Investigação sobre o entendimento humano. Ele viveu uma vida erudita e exemplar até 1763, quando foi pela primeira vez a Paris, permanecendo por mais de dois anos naquela cidade. Nesse período, Hume parece ter passado por algum tipo de crise da meia-idade; aclamado nos salões das grandes damas parisienses, enamorou-se especialmente de certa Madame de Boufflers, amante do príncipe de Conti. No entanto, esta senhora era muito mais experiente que o filósofo nesse tipo de flerte e o apaixonado Hume ficou cada vez mais confuso. Quando o marido dela morreu, tornou-se evidente que ela esperava casar-se com o príncipe e, por fim, o filósofo se viu no papel nada gratificante de confidente dos dois.
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Para Madame de Boufflers, 3 de abril de 1766
Considero impossível, cara senhora, descrever o quanto me é difícil tolerar tua ausência e o constante desejo de estar contigo. Há muito tempo me habituei a pensar em ti como uma amiga de quem jamais precisaria estar distante por um período prolongado; tenho cultivado a ilusão de que somos destinados a passar nossas vidas em mútua intimidade e cordialidade. A idade e certa equanimidade de temperamento ameaçaram reduzir meu coração a um estado de grande indiferença por tudo, mas ele foi revitalizado por tua graciosa conversação e teu caráter vivaz. Que tua mente, perturbada pela ingrata situação em que te encontras e também por tua tendência natural, possa repousar na simpatia mais tranquila que encontra em mim.
Mas, vê bem! Já se passaram três meses desde que te deixei e não me é possível prever quando posso esperar rever-te. Torno a desejar nunca ter saído de Paris e ter-me mantido fora do alcance de todos os deveres, a não ser daquele tão doce e agradável: cultivar tua amizade e desfrutar de teu convívio. Tuas expressões gentis tornam esse arrependimento mais intenso, ainda mais quando mencionas as feridas que, embora superficialmente fechadas, no fundo ainda supuram.
Oh, querida amiga, temo que, nesse tormento tão resistente a qualquer remédio, ainda demores a alcançar um estado de tranquilidade e, pela natural elevação de teu caráter, em lugar de te colocares acima dele, tu o experimentes com a mais profunda sensibilidade. Só queria poder propiciar-te o conforto temporário que a presença de um amigo nunca deixa de representar... Beijo tuas mãos com a maior devoção possível.
Sou uma grande admiradora do livro e quero compartilhar com todos vocês, as mais belas cartas de amor escritas por grandes personalidades da literatura mundial, tais como Napoleão, Darwin e Beethoven. No blog, as cartas serão postadas diariamente, até que todo livro seja descrito.
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