RICHARD STEELE foi jornalista, escritor e político. Com seu amigo, Joseph Addison, fundou a revista Spectator. Mary Scurlock foi sua segunda esposa. Ele a conheceu no enterro da primeira e a cortejou com uma obstinação apaixonada. A segunda carta aqui incluída foi escrita duas semanas antes do casamento. Ela é divertida e emocionante pela descrição que o autor faz de si mesmo como um homem completamente arrancado das preocupações do dia pela lembrança da mulher amada. Richard e Mary se casaram em 1707, mas a união permaneceu secreta por algum tempo, talvez por uma questão de decoro - o que poderia explicar a trivialidade do pós-escrito da terceira carta. O casamento foi notoriamente feliz, embora as vezes tumultuado, e Mary foi durante toda a vida do escritor sua "querida Prue". Antes e depois do casamento, Steele escreveu para a esposa mais de quatrocentas cartas. Ela morreu em 1718.
***
Para Mary Scurlock
Senhora,
Que linguagem devo usar para comunicar à adorável bela os sentimentos de um coração que ela se compraz em torturar? Longe de ti, não tenho um minuto de tranquilidade; quando estou contigo tu me tratas com tanta indiferença que permaneço num estado de alheamento, agravado pela visão dos encantos de que me dês um leque, uma máscara ou uma luva que tenhas usado, caso contrário não poderei viver; ou então, deves esperar que eu beije tua mão ou roube teu lenço quando me sentar junto a ti. És uma dádiva grande demais para ser conquistada de imediato, portanto deve ser preparado aos poucos para que esse presente precioso não me deixe louco de alegria.
Cara senhorita Scurlock, estou cansado de chamar-te por esse nome, portanto diga-me em que dia, senhora, receberás o nome deste que é teu servo mais obediente, devotado e humilde,
RICH. STEELE
Agosto de 1707 (duas semanas antes do casamento)
Senhora,
Não há no mundo nada mais difícil do que estar apaixonado e ter de cuidar de negócios. No meu caso, todos os que falam comigo me acham em falta; preciso me encarcerar, antes que alguém faça isso por mim.
Hoje pela manhã, um cavalheiro me perguntou: "Tens notícias de Lisboa?" e eu respondi: Ela é requintadamente bela." Outro queria saber quando estive em Hampton Court por último. Retorqui: "Será na terça-feira da próxima semana." Peço-te, deixe-me pelo menos beijar tua mão antes daquele dia, para que minha mente possa manter alguma compostura. Ó amor!
Mil tormentos me cercam!
Mas quem viveria para viver sem vós?
Penso que poderia escrever-te um volume inteiro, mas todas as linguagens do mundo não são capazes de descrever o quanto, e com que paixão imparcial, sou sempre teu,
RICH. STEELE
7 de outubro de 1707
Amada criatura,
Escrevo-te somente para desejar-te uma boa noite e tranquilizar-te quanto à minha dedicação àquele assunto que mencionei.
Podes ter certeza de que eu te valorizo de acordo com teu mérito, o que equivale a dizer que meu coração está preso a ti por todos os laços da beleza, da virtude, da bonomia e da amizade. Pelo progresso que realizei esta noite, concluo que em dois dias devo encerrar meus negócios com bons resultados. Escreve-me para dizer que está com boa disposição, o que dará o maior prazer a teu grato marido,
RICH. STEELE
Amanhã, vou precisar de alguma roupa de cama da tua casa.
Sou uma grande admiradora do livro e quero compartilhar com todos vocês, as mais belas cartas de amor escritas por grandes personalidades da literatura mundial, tais como Napoleão, Darwin e Beethoven. No blog, as cartas serão postadas diariamente, até que todo livro seja descrito.
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