Em nossos dias, muitos pensam que cartas de amor não são mais escritas e que o correio eletrônico e as mensagens de texto representam a morte do romantismo. Hoje parece improvável que até mesmo o amante mais apaixonado diga, como o dramaturgo Willian Congreve, que "Só tu consegues dominar minha mente, e esta não se ocupa senão de ti." Contudo, Congreve era um gênio da literatura. Por outro lado, o almirante Nelson definitivamente não era um literato e mesmo ele concebeu para Lady Hamilton a comovente expressão: "Emma é o alfa e o ômega de Nelson!". Talvez tenhamos nos tornado menos românticos e mais céticos, ou talvez aqueles homens fossem mais desinibidos do que somos hoje. Com certeza, a ironia, o espirito que preside a nossa era, quase não encontra espaço nesta coletânea.
Portanto, ao ler todas essas cartas de amor e descobrir as histórias por trás delas, somos tentados a pensar que nós, bárbaros modernos, perdemos a fé não só no amor, mas também na arte de expressá-lo. Porém, nas cartas que seguem, o que mais me tocou não foram as declarações elegantes e apaixonadas, ou, pelo menos, não somente elas; quando esbarram em preocupações mais prosaicas como a confiabilidade do correio, a necessidade de roupas de cama limpa, as lembranças á mãe da amada ou a descrição de um sonho, as cartas subitamente ganham vida e seus autores parecem mais humanos. Pode-se defender a ideia de que as declarações rebuscadas são mais para serem vistas (em alguns casos, pela posteridade) do que para expressar com autenticidade um sentimento genuíno - são mais fruto das convenções do que da convicção. E seria razoável chamar este livro de "Homens notáveis: Falando sobre si mesmo desde 6I d.C.". Com certeza faria bem alguns desses missivistas se alguém os chamasse de lado e dissesse: Você não é o centro do universo.
Evidentemente, não faz sentido afirmar que uma mensagem de texto como "NO BAR VENDO FUT VOLTO JAH BJS" é mais genuína, portanto mais romântica do que uma declaração como a de Byron: "O que sinto por ti é mais do que amor, e não consigo deixar de te amar." Assim, embora esperemos que esta coletânea agrade, emocione e talvez até divirta os leitores, ela também pode servir para lembrar aos grandes homens da atualidade que não é preciso ser um gênio literário para escrever uma carta, uma mensagem de texto, ou um e-mail de amor sinceros.
Sou uma grande admiradora do livro e quero compartilhar com todos vocês, as mais belas cartas de amor escritas por grandes personalidades da literatura mundial, tais como Napoleão, Darwin e Beethoven. No blog, as cartas serão postadas diariamente, até que todo livro seja descrito.
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